janeiro 04, 2009
Foyle's War

No final do primeiro episódio de Foyle's War, o inspector-chefe da polícia de Hastings, Christopher Foyle (Michael Kitchen) descobre quem matou a mulher alemã (em plena II Guerra Mundial) cujo homicídio ele estava a investigar: um operacional dos serviços de informação britânicos, que, uma vez descoberto, tenta convencer Foyle a deixá-lo à solta, pois ele é indispensável para o sucesso da guerra. Naturalmente, Foyle fica hesitante. O tom para os restantes dezoito episódios da série fica aqui logo definido.
Christopher Foyle é viúvo há bastantes anos. Quando a Guerra estalou na Europa, o seu filho Andrew (Julian Ovenden) juntou-se à RAF, para grande orgulho (e preocupação) do pai, que vê os seus insistentes pedidos para ser transferido da polícia para uma função que lhe permita "fazer mais pelo esforço de guerra" são repetidamente recusados. Assim, Foyle vê-se obrigado a continuar em Hastings, juntando-se a ele a jovem Samantha Stewart (Honeysuckle Weeks. Isto sim, é um nome), transferida do MTC para a polícia para ser a motorista de Foyle (aparentemente, ele não sabe guiar), e Paul Milner (Anthony Howell), um polícia que havia estado na frente de guerra mas fora ferido gravemente na Noruega. Em cada episódio, Foyle e os seus subordinados têm de investigar um novo caso (geralmente de homicídio), à boa velha maneira inglesa (num determinado episódio, um militar americano destacado em Hastings diz que "já sabia que a única coisa que os ingleses fazem é matarem-se uns aos outros").
Mas Foyle's War não é uma série policial britânica tradicional, e basta comparar com Poirot (que vejo sempre com agrado) para se perceber a diferença. Foyle's War decorre no período da II Guerra Mundial (o primeiro episódio passa-se em 1940, e o último episódio termina em 1945, no dia em que Churchill anuncia a rendição incondicional alemã), e não é uma mera série policial em que cada episódio é independente do anterior, limitando-se a criar e a resolver um mistério, como Poirot, antes usando o pretexto desses mistérios policiais para recrear o ambiente da "frente interna" inglesa nos anos da Guerra, e tal como se percebe no fim do primeiro episódio, é sempre, do princípio ao fim, uma série com um enredo principal contínuo, o dos problemas que a guerra na europa cria á manutenção da paz e da ordem na "frente interna". Acima de tudo, a diferença de Foyle's War para séries como Poirot reside na existência de, para além dos whodunnits criminais que Foyle tenta resolver, há uma série de enredos secundários ligados a episódios anteriores, e que funcionam como os "arcos" das personagens principais: a relação de Christopher e Andrew Foyle, a relação quase paternal de Foyle com "Sam" Stewart (há alturas em que Foyle's War até parece um filme de Clint Eastwood na forma como trata a "família adoptiva" que Foyle e "Sam" acabam por ser), a vida pessoal do veterano de guerra Paul Milner, e as vidas amorosas de Andrew e "Sam". Claro que não se comparam aos múltiplos enredos de séries americanas como The Sopranos (para não falar de The Wire, que é outra coisa, absolutamente incomparável ao que quer que seja), mas dão á série uma qualidade muito superior ao que é habitual no género.
Mas um aspecto em que Foyle's War e as melhores séries americanas são de facto comparáveis é o da qualidade da escrita. Aqui, Foyle's War está ao nível das melhores. Como seria de esperar em alguém que trabalhou em Poirot, Anthony Horowitz (autor de Foyle's War), é irrepreensível na criação de um ambiente de suspense um torno da investigação que Foyle conduz em cada episódio. Mas vai muito mais longe. Há momentos em que Foyle's War é verdadeiramente comovente, como por exemplo, quando no terceiro episódio se descobre o que é que realmente é feito numa suposta fábrica de armamento em Hastings, ou a história do imigrado judeu do penúltimo episódio, ou a despedida de um antigo aviador da unidade de queimados em que estava a ser tratado, e, muito especialmente, no segundo episódio, o relato de um pescador sobre a retirada de Dunquerque. Para além do mais, não falta uma boa dose de humor, acima de tudo evidente na relação entre Foyle e "Sam", e que tem o seu momento alto no último episódio, com a supreendente "revelação" acerca de Foyle.
Mas acima de tudo, a qualidade da escrita de Foyle's War está no retrato da vida inglesa durante a Guerra: a dificuldade de viver com o racionamento, o receio de uma invasão, o appeasament, o medo dos bombardeamentos, o deslocamento das crianças de cidades como Londres para zonas rurais como Hastings, por eemplo, tudo isso é tratado em Foyle's War. E claro, vemos como lidavam as famílias com a ida "dos seus rapazes" para a guerra (do primeiro ao último episódio, com Foyle e o filho), e, num aspecto que nem sempre é lembrado, a dificuldade do regresso a casa, evidente na mulher de Milner, e tema central do último episódio. Várias vezes ao longo da série é dito que "esta guerra faz coisas diferentes a pessoas diferentes", mas "muda toda a gente". Se há coisa que Foyle's War mostra do princípio ao fim (e que faz com que mereça ser vista), é precisamente como todas aquelas pessoas foram afectadas pela guerra.
Posted by Bruno at 05:16 PM
janeiro 03, 2009
"Cada Vez Mais Desejado"
Li há dias num jornal português (não me recordo se o Público, se o Diário de Notícias) que o euro era "cada vez mais desejado". Ora é um facto que a moeda europeia tem valorizado em relação ao dólar, mas isso, só por si, não significa que seja "mais desejada" do que era antes. Isto porque uma moeda pode valorizar-se em relação a outra, e simultaneamente valer menos. Corrija-me se estiver enganado, caro leitor, mas se há inflação (e nos últimos anos, tem havido inflação, por muito diminuta que seja), isso significa que um euro compra menos coisas hoje do que comprava antes. É verdade que um euro compra mais coisas que um dólar, mas um euro hoje compra menos coisas do que um euro há um ano atrás. Se um euro compra hoje menos coisas do que comprava há um ano atrás, isso significa que perdeu valor, ou seja, que é menos desejado (o valor das coisas é aquilo que as pessoas estão dispostas a dar por elas, o que significa que se algo perde valor, é porque é menos desejado do que era anteriormente), e que portanto, a vida dos que são forçados a usá-lo (as pessoas que vivem na "zona euro") fica mais difícil. Antes de nos regozijarmos com a fraqueza do dólar e a suposta "força" do euro, seria bom percebermos a realidade e como ela tem pouco que mereça regozijo.
Posted by Bruno at 06:22 PM
janeiro 02, 2009
No Leitor de DVD

As duas primeiras temporadas da (muito boa) comédia Arrested Development.
Posted by Bruno at 10:25 PM
janeiro 01, 2009
O Novo "Louco" da Europa
Começou hoje a presidência checa da União Europeia. E uma "Europa" com saudades dos gémeos polacos, sobre os quais podia deitar todas as culpas de todo e qualquer falhanço, rejubila. Tal como eles, Vaclav Klaus não debita aqueles lugares comuns sobre a "união na diversidade" ou semelhantes, que fazem as alegrias de todos os que têm de fazer aquelas viagens mensagens de Bruxelas para Estraburgo. Tal como eles, será ridicularizado pela comunicação social que da "Europa" só conhece a propaganda. Nos próximos seis meses, todos irão sentir saudades da "extraordinária" presidência de Sarkozy (cuja capacidade para organizar cimeiras é inegável, pena é que dali não saia outra coisa que não o culto da sua personalidade), e todos culparão o "louco" que substituirá os gémeos Kaczkinsky como objecto da ira de daqueles cuja estranha noção da democracia não é a célebre "um homem, um voto, uma vez", mas antes "um homem, um voto, as vezes que for preciso até votarem naquilo que queremos".
Posted by Bruno at 08:48 PM
dezembro 30, 2008
A Decisão de Cavaco
A declaração de ontem do Presidente Cavaco Silva, sobre o novo estatuto dos Açores, foi francamente fraca, para não dizer deplorável. Se Cavaco acha, como ontem afirmou, que a aprovação do Estatuo dos Açores constitui "um revés para a qualidade da democracia", não o deveria ter aprovado. Ou dissolvia a Assembleia, ou demitia-se ele próprio, por não querer ser responsável pela introução de algo que ele acha ser tão negativo. Ao aprovar a medida, mesmo que de forma "forçada" e expressando o seu desacordo, Cavaco associou o seu nome a algo que ele acha ser mau para a qualidade da nossa democracia. Se quisesse levar as suas palavras de ontem a sério, Cavaco Silva ou teria impedido a aprovação do Estatuto dos Açores, ou, caso isso não fosse possível, abandonaria o Palácio de Belém para não aprovar algo que vai contra a sua consciência. Assim, apenas mostrou como o Presidente é impotente perante a vontade da maioria parlamentar.
Posted by Bruno at 07:21 PM
dezembro 29, 2008
A Ler
Sobre a "ofensiva" israelita contra o Hamas, o post de James Forsyth no blog da Spectator:
"There is a strange tendency when viewing the Israeli-Palestinian dispute to imagine that because might does not make right it must make wrong. By this logic, the fact that Israel can inflict greater damage on Hamas than Hamas can on Israel makes Israel the aggressor. But in reality, it is Hamas who is responsible for this latest round of violence. It is Hamas who never fully implemented the six month ceasefire and then broke it off completely.
Israel has a right to pursue the action it is taking but the strategic question is what purpose will the action serve. Unlike with the war in the Lebanon in 2006, Israel has set itself the narrowest of war aims: the ending of all rocket attacks from Gaza. It is difficult, however, to see how this can be achieved while Hamas remains in control of Gaza.
Those who are calling for a diplomatic offensive should reflect on whether Hamas—whose charter commits it to the destruction of the State of Israel—can ever be a genuine partner for a ceasefire let alone peace. Certainly, President-elect Obama would be foolish to expend his initial diplomatic capital on direct negotiations between the Israelis and the Palestinians as long as the rejectionists of Hamas remains in charge of Gaza. For there can be no peace as long as that is the case."
Posted by Bruno at 07:22 PM
dezembro 28, 2008
"Um Grande Futuro"


Nos últimos anos tenho ouvido dizer, felizmente bastantes vezes, que tenho "um grande futuro" à minha frente. É sempre agradável e reconfortante ouvir palavras como estas. Mas sempre que as oiço não consigo deixar de pensar nestes dois futebolistas campeões mundiais de sub-20 em 1991, por Portugal. Não sabe quem eles são? Precisamente.
Posted by Bruno at 09:40 PM
dezembro 27, 2008
"Ofensiva" Israelita
Há pouco, no Telejornal da RTP, deu-se bastante destaque à "ofensiva" israelita contra a Faixa de Gaza, e à "retaliação" do Hamas. Ao usar a palavra "retaliação" acerca das acções do Hamas, a RTP está-lhes a atribuir um carácter de legítima defesa contra a "ofensiva" (assim entendida como ilegítima) do estado israelita: como se há já vários dias o Hamas não tivesse anunciado a "suspensão da trégua" com o estado israelita (ou seja, anunciando que voltaria a entrar em guerra, só por si legitimando a legítima defesa de Israel), ou não tivesse, ainda ontem, lançado misseís contra Israel, mostrando que a "ofensiva" israelita mais não é que uma retaliação contra a ofensiva do Hamas.
Posted by Bruno at 09:18 PM
dezembro 26, 2008
O Natal Já Não É O Que Era
Devo estar a ficar velho, pois já começo a queixar-me incessantemente dos tempos que já lá vão, em que o Natal era "outra coisa", diferente daquilo que é hoje. De facto, há já vários que venho sentido que o Natal já não é o da minha infância (que não foi assim há tanto tempo), eque vem perdendo alguma da sua "magia". Não, não estou a falar dos males do "consumismo" ou do "esquecimento da mensagem de Cristo". Pessoalmente, gosto bastante do consumismo (especialmente se estivermos a falar do dos outros para me ofereceram coisas a mim), e a mensagem de Cristo é sempre bastante falada por aqueles que se queixam de ela ter sido esquecida. Falo, isso sim, de algo muito mais grave: quando era pequeno, não havia noite de véspera de Natal em que a televisão não nos oferecesse A Música no Coração ou, na pior das hipóteses, o Sozinho em Casa (1 ou 2). Mas, de há uns anos para cá, esse elemento essencial da celebração natalícia tem ficado nas prateleiras das estações, sendo cada vez mais comum a emissão de filmes de animação dobrados em português. Aquilo que fazia do Natal aquilo que era (a repetitiva emissão de filmes que todo e qualquer português já sabe de cor) tem-se perdido, e isso preocupa-me. Por este andar, daqui a uns anos deixaremos de ter os directos nos centros comerciais (ou "grandes superfícies", como dizem as meninas do microfone) com entrevistas a comerciantes e seus clientes, todos queixando-se de que "isto está difícil", ou as reportagens sobre as pessoas que "não têm Natal" (bombeiros, polícias, médicos ou jornalistas que trabalham na véspera de Natal), ou até mesmo entrevistas a emigrantes temporariamente regressados a Portugal. Aí, tudo o que resta do natal da minha infância terá desaparecido.
Posted by Bruno at 06:47 PM
dezembro 23, 2008
Nos próximos dias, este blog encontrar-se-á mais parado que a economia mundial, pois o seu autor estará ocupado com as festividades natalícias. Ficam aqui os desejos de Bom Natal para os leitores, e o caso o Natal não faça muito o seu género, tem sempre o Festivus:
Posted by Bruno at 10:29 PM
Para Quem Quiser Ouvir
Aqui fica a minha ida, juntamente com o Hélder, ao Rádio Clube Português, ao programa Ao Fim do Dia
Posted by Bruno at 09:58 PM
dezembro 22, 2008
A Ler
Na Foreign Policy, as "10 principais notícias de que não ouviu falar" de 2008.
Posted by Bruno at 06:12 PM
dezembro 21, 2008
Ideais
Li algures que Ribau Esteves, Presidente da Câmara de Ìlhavo e ex-aguadeiro de Luis Filipe Menezes, terá dito que o seu "ideal de beleza" era "Diana de Gales". Ficamos assim a saber que a falta de sensatez do homem não se limita à política, e que ele tem gostos ainda piores que as suas amizades políticas.
Posted by Bruno at 10:18 PM
dezembro 20, 2008
O melhor Campaigner
Na sua última crónica (aliás, mais um exemplo da vacuidade típica da figura, só comparável à sua presunção), José Miguel Júdice escreve que a escolha de Pedro Santana Lopes para candidato do PSD à Câmara de Lisboa até pode vir a ter sucesso, pois trata-se do "melhor campaigner que existe em Portugal desde Mário Soares": isto acerca de alguém que, na campanha de 2005, concorreu com o brilhante slogan do "contra ventos e marés" (que apenas conseguia destacar o facto de Sampaio ter corrido com ele, o que por sua vez fazia os eleitores recordarem-se das "trapalhadas" que ficaram associadas ao seu Governo), e do rapaz que achou por bem fazer o vídeo do "menino guerreiro", que só serviu para alimentar uma já vasta indústria de ridicularização da personagem. Santana até poderá vencer as eleições em Lisboa (há gente para tudo), mas esta tendência em cair no mito do "Santana invencível em eleições" (o que supostamente compensaria as suas falhas) ignora por completo que, até na sua "especialidade", Santana fez muita "trapalhada".
Posted by Bruno at 10:07 PM
dezembro 19, 2008
A Propósito Do Caso Madoff
Vale a pena ler o artigo de Daniel Finkelstein, acerca do que é necessário para se ter um bom esquema Ponzi:
"What you need to understand about Charles Ponzi's scheme is that when he started it, it wasn't a Ponzi scheme. It all just, well, it sort of got out of hand.
There's no denying that Ponzi was a crook. He'd been fired from his first job in America for short-changing the customers, he'd been jailed in Montreal for forging cheques and he'd gone back to prison in America almost immediately, this time for an illegal immigration scam. But in 1918 he came to Boston, married a nice Italian girl and tried to go straight. And that's when all the trouble started.
You see, Ponzi realised that there was good business to be done selling postal reply coupons. These coupons went for four times as much money in America as they did in Italy. So Ponzi sent off to a friend in the old country, and got him to send over a big batch of the coupons. And then he sold them for a profit.
Pretty soon he was attracting attention, and investors. He paid off the first few with real profits. But then the flaw in his plan became clear. The market for coupons - indeed the total number of coupons in circulation - simply wasn't large enough. As described in Joel Levy's invaluable little book The Con Artist Handbook, by July 1920 he was taking in £175,000 a day. To make a profit for all those investors there would have to be 160 million coupons in circulation. In reality there were just 30,000.
So what did Ponzi do? He started paying off existing investors with the money from new investors, something that requires an endless, growing supply of new investors. It couldn't last. And it didn't. Ponzi's scheme collapsed and in August 1920 he was indicted on 86 counts of fraud. He went to jail, of course. But, strangely enough, he still had a large number of fans who were outraged by his imprisonment and subsequent deportation to Brazil. In the Italian immigrant community he was, for some, still a hero.
The size, the sheer audacity, of Ponzi's fraud meant that his name became attached to the swindle. But his wasn't the first scheme of its kind - the whole thing had been tried, for example, just 20 years earlier by a book-keeper for a tea company known as William “520 per cent” Miller. And Miller had himself been uncovered by a savvy political fixer called T. Edward Schlesinger who said he knew what the book-keeper was up to, because he'd been doing it too. He got Miller to give him $240,000 to get the police off his back, then scarpered to Germany with the proceeds to live a comfortable life on the golf courses of Europe.
Which is a long way of telling you some of the things you need to know about the antics of which Bernard Madoff has been accused.
First, these kind of con jobs are nothing new; they've always gone on and they always will. Second, the conman is part knowing crook and part unwitting dupe. On the surface he is serene, authoritative, charming. At the same time he is increasingly helpless, sped along swiftly, arms flailing, on the current of their own fraud. And finally, the relationship between swindler and swindled, between the con artist and his mark, is complicated.
The common assumption about victims of confidence tricks is that they must be stupid. Not at all. In fact the bigger the con, the more essential it is that they not be stupid. A big con relies on a sophisticated mark who can see the advantage to them of the scheme. A common feature of confidence tricks is that the mark is, at the very least, keen on money. They are ready to cut corners and deal with others who cut corners. But to understand why this is worthwhile, or at least why it is theoretically worthwhile, they have to be bright.
In his classic book on confidence tricks, The Big Con, David Maurer writes: “It should not be assumed that the victims of confidence games are all blockheads. Very much to the contrary, the higher a mark's intelligence, the quicker he sees through the deal directly to his own advantage.” Carole Caplin's boyfriend, the conman Peter Foster, quickly realised that Cherie Blair was the perfect mark.
In other words, the conman finds it easy to explain to bright people how they might benefit. Maurer thinks that it would be too much to expect them also to realise that the whole situation may be a set-up. After all, great care has usually been taken with preparation. As it was with Madoff.
The key moment in the criminal career of Frank Abagnale - the conman played by Leonardo DiCaprio in Catch Me if You Can - came when he saw the way a Pan Am pilot in uniform was treated. He obtained a uniform and a fake ID card and set to work. It proved much easier to get money, girls, food, free flights when wearing a uniform. Want to know how Madoff managed to ply his trade without being properly questioned? Want to know why the regulators didn't bring him to book? He was dressed in the city equivalent of a pilot's uniform. The authority of his big company and his intimidating reputation clothed him.
But it was the maths that undid him. He chose the wrong con. Ponzi schemes collapse. It is almost mathematically impossible for them to keep going for ever. They are, incidentally, a particular feature of rising markets and come unstuck in downturns. Not all cons come unstuck like this. The mark doesn't like to be thought an idiot or greedy or a crook. So they often keep quiet or even side with the con artist. Even Ponzi himself kept some of his fans. I bet Madoff does too.
Before anyone is too censorious about the victims of this latest scam, consider this. The picture of Nicola Horlick accompanied many of the first Madoff stories. It was coupled with some words she doubtless now regrets. Last summer she said of Madoff: “He is very, very good at calling the US equity market. This guy has managed to return 1 per cent to 1.2 per cent per month, year after year after year.”
Ridiculous, no? How could anyone believe that such returns would go on year after year?
Well, anyone could really. You could, for instance. Or I could.
For the past ten years we have believed that the growth in our economy was magical, that it would go on for ever. It was different this time, we told ourselves, as Gordon Brown told you, me and Nicola Horlick that he had abolished boom and bust.
So we went merrily on our way, funding our public services by getting new entrants to the workforce to pay out benefits to existing members. A Ponzi scheme. And we're the mark."
Posted by Bruno at 09:13 PM
dezembro 18, 2008
Vale A Pena Ler
O texto do Afonso Azevedo Neves sobre a escolha de Pedro Santana Lopes como candidato do PSD à Câmara de Lisboa, que, para além de fazer algumas críticas (que merecem ser lidas) ao meu texto sobre o assunto, faz comentários bastante certeiros acerca do problema da decisão.
Posted by Bruno at 05:28 PM
dezembro 17, 2008
A Ver
No Fora.tv, Richard Belzer, o actor que interpretou a personagem do dtective John Munch na fenomenal série televisiva Homicide (e em inúmeras outras séries televisivas), a falar sobre a sua vida.
Posted by Bruno at 10:51 PM
dezembro 16, 2008
A Escolha de Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes foi confirmado como o candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa. Quando primeiro se falou da hipótese, escrevi aqui que "dar o seu apoio a uma candidatura de Pedro Santana Lopes seria o maior erro que Manuela Ferreira Leite poderia cometer". Desde então, não mudei de opinião.
Tenho retratado o confito que divide o PSD como um conflito entre um grupo de pessoas que, apesar das suas diferenças, vê o PSD como uma alternativa de governo ao PS, e um outro grupo de pessoas, cujo objectivo é, acima de tudo, defender os seus feudos autárquicos, não tendo qualquer problema em que o PS ganhe as eleições legislativas. Antes pelo contrário: o "partido autárquico" até agradece que seja o PS a ter de tomar medidas impopulares a nível governamental, para que o descontentamento popuilar com as ditas lhe renda mais alguns votos de protesto nas autárquicas.
Pedro Santana Lopes, por muitos defeitos que tenha, pertence ao "partido nacional". É verdade que foi Presidente de Câmara por duas vezes, mas não é propriamente detentor de um feudo autárquico, e toda a sua acção política sempre visou a liderança do partido ou a Presidência da República, ou seja, objectivos de âmbito nacional. Até sempre falou de Lisboa como uma forma de mostrar que o PSD poderia governar bem o país. Com isto, quero dizer que, "tudo o resto constante" (como dizem os economistas), Santana Lopes até poderia ser, nesta conjuntura, um importante aliado de ferreira leite contra o partido autárquico. O problema está em que "tudo o resto" não é "constante". O problema está em que Pedro Santana Lopes foi primeiro-ministro de um Governo cujo único resultado que conseguiu obter foi a total descredibilização do PSD.
Ao dar a sua caução a uma candidatura de Santana à capital, Ferreira Leite está a fazer o PSD recuar aos tempos pré-Marques Mendes, está a deitar abaixo o trabalho por este realizado após ter percebido que, para tornar o partido numa alternativa credível a nível nacional, poderia ser necessário sacrificar as perspectivas eleitorais a nível autárquico. Em Lisboa, Mendes deixou cair Santana e depois Carmona por essa razão, e ir resgatar Santana é não perceber o que se passou no partido nos últimos anos. E isto é ainda mais grave por ninguém ter votado em Ferreira Leite para ter Santana Lopes: quem o quisesse teria no votado no homem (e muitos fizeram-no, vá-se lá saber porquê). Ferreira Leite aparecia como a candidata de ruptura com o passado mais recente do PSD, a pessoa que havia estado contra a cedência do poder a Santana aquando da saída de Durão, a pessoa que esteve contra Menezes, e que, ao contrário de Passos Coelho, não se aliou a nenhum destes nas directas deste ano.
Os mais “conspirativos” certamente conseguirão encontrar razões para justificar a escolha, mas nenhuma aguenta a mínima reflexão: muitos poderão argumentar que um partido como o PSD tem de ganhar Lisboa, e um político “ganhador” como Santana é ideal para o conseguir. Esqueçamos o brilhante resultado que este “ganhador” conseguiu em 2005: mesmo que o mito do “Santana imbatível em eleições” seja verdadeiro, e ele ganhe Lisboa para o PSD, o PSD terá o problema de ter Lisboa nas mãos de Santana, mãos essas que trarão consigo as confusões que ele gosta de arranjar. Os “conspirativos” dirão que essa é a ideia de Ferreira Leite. Dar a Santana a oportunidade de se auto-destruir. O problema é que oportunidades dessas não têm faltado ao “guerreiro menino”, e ele acaba sempre por arrastar alguém consigo: se Ferreira Leite der o seu aval à candidatura de Santana, toda e qualquer asneira que vier daquela cabecinha pouco ajuízada irá colar-se à líder laranja como queijo quente ao céu da boca. E acredite, caro leitor, que este queijo em particular costuma queimar.
Há ainda a mensagem que Manuela Ferreira Leite estaria a enviar aos eleitores. Numa conjuntura em que a actividade política está cada vez mais descredibilizada junto dos eleitores, a única forma que Ferreira Leite terá de conquistar a sua confiança será comportar-se de uma forma “diferente” daquela que as pessoas costumam associar aos “políticos”. Depois de se ter oposto a Santana, depois de ter estado contra Menezes, depois de ter sido a mandatária de Fernando Negrão em Lisboa (ou seja, depois de ter dado a sua caução à estratégia de Marques Mendes na capital), depois de falar da necessidade de credibilizar o partido depois das aventuras destas duas personagens, se Ferreira Leite apoiar uma candidatura de Santana, os eleitores só poderão pensar que ela o faz por uma qualquer razão obscura, seja por considerações eleitorais (por esperar que Santana “ganhe”) ou internas (para manter o “inimigo” perto, para o “queimar”, ou para apaziguar a oposição interna). Ou seja, só poderão pensar que Ferreira Leite apoia Santana por “politiquice”. E qualquer político que siga critérios de “politiquice” será penalizado: mesmo que ganhe as legislativas de 2009, e consiga o poder, será alvo da desconfiança dos eleitores, desconfiança essa que a impedirá de levar a cabo a política reformista que só o PSD poderia promover.
Posted by Bruno at 10:28 PM
dezembro 15, 2008
O Que Quer Alegre? (pulicado no Insurgente)
Realizou-se ontem mais uma daquelas festas em que manuel Alegre se reúne com militantes do Bloco de Esquerda e "renovadores" comunistas para fazerem "uma reunião das esquerdas", ou, em português, cavalgar na onda de descontentamento que vai afligindo o Governo de José Sócrates. Alegre terá afirmado que "a reconfiguração da esquerda implica a capacidade e a vontade de construir uma perspectiva alternativa ao poder", e que essa "reconfiguração" não poderá ser feita "sem o concurso de eleitores, simpatizantes e militantes do Partido Socialista". Ou seja, ao mesmo tempo que diz que o PS não está a governar como "a esquerda" deveria governar ("os explorados, os oprimidos, os deserdados da vida (...) é por eles que estamos aqui, não pelas grandes fortunas do Banco Privado Português"), Alegre recusa fazer uma ruptura com o seu partido.
Esta é a "hesitação" de Alegre que, ainda no passado Sábado, Vasco Pulido Valente criticava. Na realidade, Alegre não "hesita" nada. O ex-candidato presidencial sabe muito bem o que está a fazer, e não rompe com o PS apenas e só porque não tem qualquer intenção de sair. Há já bastante tempo que Alegre percebeu o que se estava a passar com o Governo de Sócrates: o PS arrisca-se a sofrer a perda do eleitorado tradicional que se sente "traído" pelas políticas de Sócrates, e ao mesmo tempo, do eleitorado flutuante que está descontente com os resultados dessas políticas. Esse esvaziamento da base de apoio que sustentou o "socratismo" pode não levar à sua "falência" já em 2009, mas começa a manifestar-se de forma mais acentuada, e é o facto de perceber isto que leva Manuel Alegre a colocar-se na posição de defensor dos "traídos" de 2005. O PS de Sócrates começa a fazer lembrar os últimos anos de Guterres, quando Carrilho sentiu que havia chegado a hora de abandonar o barco e começar a bombardeá-lo, e os eleitores começaram a desconfiar da "ilusão" que lhes havia sido vendida.
O que Alegre pretende não é, no entanto, criar um partido que, unido ao Bloco, "roube" esse eleitorado ao PS. Só mesmo em despesero (ou caso venha a ser empurrado) Alegre poderá fazê-lo. Por agora, a sua intenção é apenas explorar essa crescente fragilidade para, em cima das eleições, se juntar de novo a Sócrates (impondo-lhe determinadas condições, claro), e permitir a "união" do PS contra a "obsessão orçamental" da malévola Ferreira Leite. Mas Alegre talvez não esteja a medir bem o risco da sua aposta.
Em primeiro lugar, porque a estratégia pode não funcionar: como dizia ontem o André, nada como um Fórum de Esquerdas com Manuel Alegre, bloquistas e comunistas a discutir “projectos políticos totais” para ajudar o PS de Sócrates a consolidar o eleitorado ao centro. E em segundo lugar, a aposta de Alegre é arriscada porque pode funcionar bem demais. Se, por azar, for "demasiado eficaz" no seu ataque ao "neo-liberalismo" socrático, poderá não haver nada para salvar, e em vez de se "unir", o PS ficará entregue a uma luta fratricida que fará das actuais escaramuças do PSD uma cordata reunião de amigos. Dos convivas de ontem, só Louçã poderá ficar contente com tal cenário.
Posted by Bruno at 02:38 PM
dezembro 13, 2008
“I ain’t an athlete, lady, I’m a ballplayer,”
No Financial Times, Simon Kuper tenta explicar por que razão os clubes de futebol não deveriam ter tantos problemas em contratar jogadores com uma "Barriga à Rochemback":
"Ronaldo, once the greatest footballer on earth, now has the belly of late-phase Elvis Presley. In spite of this, Corinthians in his native Brazil have just signed him. However, one of the last surviving fat men in sport will soon be squeezed out of the exit doors like so many other fatties this last decade. Their demise is sport’s loss.
A century ago, there were sporting legends who could have eaten today’s streamlined players as a pre-game snack. The Victorian cricketer W.G. Grace wielded his belly as proudly as his bat; his contemporary, the Chelsea goalkeeper William “Fatty” Foulke weighed 24 stones; and in baseball, Babe Ruth reportedly once limbered up for a Yankees game with four porterhouse steaks, eight hot dogs and eight sodas.
Few minded. In 1958, when Real Madrid were courting the great Hungarian footballer Ferenc Puskas, he told the club’s president: “Listen, this is all very well, but have you looked at me? I am 18 kilos overweight.” Real signed him regardless. In the 1970s, when a physical trainer approached the football manager Brian Clough and boasted that he could make his fittest player physically sick in 10 minutes, Clough replied: “The moment the league starts awarding two points for that, I’ll give you a job.”
As late as the 1990s English football featured pregnant-looking players such as Paul Gascoigne or Julian Dicks. Fans sang, “He’s fat, he’s round, he bounces on the ground,” and “Who ate all the pies?” Secretly, they liked sportsmen who looked like them. It’s no coincidence that the two most popular English cricketers since the 1970s have been Ian “Beefy” Botham, and Andrew “Freddie” Flintoff, now slimmer but who was nicknamed after the chunky caveman Fred Flintstone.
Admittedly, there always were puritans who persecuted fatties. When a woman chided the baseball player John Kruk for being a tubby smoker, he famously replied, “I ain’t an athlete, lady, I’m a ballplayer,” a response so good he later used it as the title of his autobiography. In 1995 Kruk retired, soon after telling a newspaper that he wanted to spend the rest of the year “eating at the Sizzler’s buffet”. Fat athletes were wobbling off stage.
Coaches had got hold of computers and were starting to measure more things. They followed Damon Runyon’s dictum: “The race is not always to the swift, nor the battle to the strong, but that’s the way to bet it.” While the rest of us got fatter, athletes went the other way. Baseball players started using steroids. In football, Arsenal ditched its traditional pre-game meal of baked beans and Coca-Cola (not a joke). Even cricketers discovered the gym. In Basel during the 2008 European Football Championships, two leading managers had a quiet chat at a sponsor’s evening. The content: “How many kilometres do your full-backs run? And your central midfielders?”
Teams began blaming failures on lack of fitness. Brazil flopped at football’s 2006 World Cup with two strikers, Ronaldo and Adriano, who looked like blow-up doll replicas of themselves. No team of that stature will ever weigh that much again. To find fatties in sport today, you either have to admire the recent photos of Ronaldo or scour some obscure teams. The Bermudan cricketer Dwayne Leverock, an obese policeman, redeemed last year’s World Cup with a brilliant one-handed slip catch and subsequent earthshaking jig.
As that suggests, fat athletes have their uses. One day last February, when Ronaldo was still playing for AC Milan, Daniele Tognaccini, one of the club’s trainers mused about that.
Tognaccini was sitting at the pristine Milanello training ground listing Milan’s keenest runners. “Cafu, Kaká – he is the kilometre man – and Gattuso.” He risked a joke: “Ronaldo, no.” But then Tognaccini revealed a counter-intuitive truth about soccer: there was no correlation between running lots of kilometres and winning matches. He said: “Often, it’s better if you don’t run.”
Another Milan official in the room joked: “So Ronaldo is fantastic?”
“Yes,” said Tognaccini seriously. “Football is not a physical sport.”
The Oakland A’s reached the same insight about baseball. In the book Moneyball, Michael Lewis explains how the A’s signed fatties whom no other team wanted. None of them could “outrun the hot dog vendor in a 60-yard dash”, but that didn’t stop them hitting baseballs. Lewis concludes: “Titties are one of those things that just don’t matter in a ballplayer.”
They certainly haven’t stopped Ronaldo. The Milan Lab, after measuring everything measurable in football, concluded that the key quality in the game was not body-fat percentage but “sensory perception”: the ability to assess the field of play in an instant. “Ronaldo,” says the Lab’s director, Jean Pierre Meersseman, “can perceive a situation so fast and react to it, it’s just amazing.”
That is why fans of his favourite club, Flamengo, are now turning to black magic to punish him for joining Corinthians. The man’s better than an athlete. He’s a ballplayer.
Posted by Bruno at 11:17 PM
dezembro 12, 2008
"Just When I Thought I Was Out, They Pull Me Back In"

De cada vez que tenho de tratar de alguma coisa com a burocracia estatal, fico a perceber o que Michael Corleone queria dizer no terceiro filme do Padrinho.
Posted by Bruno at 10:22 PM
A Ler
O artigo de David Brooks no New York Times de hoje:
"Something has been revealed about the psychology of the nation’s capital. When investors in New York become gripped by fear, they pull inward. When Washingtonians are gripped by fear, they rush outward, with bigger and more daring plans. The risk tolerance in the financial world has shrunk to zero, but the risk tolerance in the political world has risen to infinity.
Once America was a decentralized country, but now all roads lead to Washington. Mighty C.E.O.’s abase themselves before junior House members. Governors and mayors come groveling. The status of the lowliest bureaucrat has risen delightfully, and there is a feeling of overflowing abundance amid the national scarcity as Washington spends the trillions it doesn’t have. Such is the local boom that your humble ambassador can drive from his residence, and in a few minutes he can count 10 McMansions under construction.
And this leads, sad to say, to the third layer of emotion: anxiety. Many of those swept up in the excitement of this historical moment also have the nagging sensation that perhaps the laws of gravity, economics and history have not been repealed. Perhaps Mr. Obama’s talents, while great, are not as great as his self-confidence. Perhaps the New Deal paradigm everybody is applying doesn’t actually fit the circumstances. Certainly something big needs to be done to calm this crisis, but perhaps in the doing, some unholiness is being unwittingly and rashly created.
Why is it, some ask, that America is so slavishly following the same failed route earlier taken by the Japanese — from bank capitalization, to industrial bailouts to infrastructure spending? Why is it that the pork-meisters in Congress are already distorting the best-laid stimulus plans? Why are there so few saying “no” to any budget request? Why do so many of the plans being offered rely upon a Magic Technocrat — an all-knowing Car Czar who can reorganize Detroit, an all-seeing team of Olympians who decide which medicines doctors will be allowed to prescribe?"
Posted by Bruno at 10:16 PM
dezembro 11, 2008
Eu Já Tenho o Meu. E Você?

Com a detenção de Rod Blagojevich, o Ebay resolveu substituí-lo na sua actividade comerciale começou a vender lugares no Senado americano. Se sempre sonhou com uma carreira política nos EUA, eis a sua oportunidade.
Posted by Bruno at 07:21 PM
Don´t Mention The Debt
Há já algum tempo que se vem notando uma oposição alemã aos vários "planos" de "salvamento" da economia que vários governos estão a seguir para sair da crise. Numa entrevista à Newsweek, o Ministro das Finanças de Angela Merkel (do SPD, imagine-se) explica porquê:
"What is wrong with the stimulus proposals?
The speed at which proposals are put together under pressure that don't even pass an economic test is breathtaking and depressing. Our British friends are now cutting their value-added tax. We have no idea how much of that stores will pass on to customers. Are you really going to buy a DVD player because it now costs £39.10 instead of £39.90? All this will do is raise Britain's debt to a level that will take a whole generation to work off. The same people who would never touch deficit spending are now tossing around billions. The switch from decades of supply-side politics all the way to a crass Keynesianism is breathtaking. When I ask about the origins of the crisis, economists I respect tell me it is the credit-financed growth of recent years and decades. Isn't this the same mistake everyone is suddenly making again, under all the public pressure?
Doesn't an unprecedented crisis call for unprecedented measures?
It's the yearning for the Great Rescue Plan. It doesn't exist. It doesn't exist! Dealing with an unprecedented crisis is a puzzle, a trial-and-error. Honestly, I don't know. I tend to be skeptical because it is human nature to see the crisis as even worse than it is. I don't want to downplay anything; 2009 looks like it will be a very difficult year. But we are not about to collapse. We are just about to ratify our €31 billion stimulus in Parliament. As long as we haven't even given that a chance to work, I am not going to participate in this bidding war over who can do the most. I try to exude a little steadiness and continuity instead.
What entails the greater risk to the economy: not acting now before the pain gets worse or the negative consequences of overspending now?
I don't think anyone knows. Making political decisions means taking responsibility in an environment of uncertainty. When in doubt, I'd say the risk is greater of burning money without significant effects and in the end having a budget weighed down with even more debt. For me the only stimulus measures that make sense are those that create jobs and have a positive structural effect beyond the economic cycle. One should wait to see how what we have agreed on now works before one thinks about readjusting."
Posted by Bruno at 07:03 PM
Boris Johnson vs Jeremy Clarkson
Boris Johnson, o actual Mayor de Londres e colunista muito cá de casa, foi ao programa Top Gear da BBC. Dois comentários: primeiro, não há programas assim na televisão portuguesa. Até um programa popularucho como é este é feito com um sentido de humor e qualidade que não se vê em nada do que passa nas nossas televisões. E segundo, Boris Johnson é um político como não há em portugal (nem em mais lado nenhum, arrisco dizer): capaz de ir à televisão fazer figuras tristes como estas e dizer coisas que parecem impossíveis numa era em que ninguém pode dizer nada que não esteja num guião.
Posted by Bruno at 12:28 AM
dezembro 09, 2008
A Ler
Nos EUA, o Governador do Illinois Rod Blagojevich foi hoje detido por suspeita de corrupção, por supostamente ter tentado "vender" o lugar de candidato a substituto de Barack Obama no Senado. No seu blog, Toby Harnden explica como esta notícia pode ser prejudicial para o Presidente eleito:
"1. Senate Candidate 5 could be Emil Jones, as Ben Smith outlines here. If what the complaint outlines is true then Senate Candidate 5 could well end up in jail. Jones, current chairman of the Illinois state senate, was Obama's political godfather in Springfield - the man who set him on the path to the presidency.
2. Senate Candidate 5 could be Congressman Jesse Jackson Jr, as Marc Ambinder outlines here. Jackson was a key member of Obama's campaign and is very closely aligned with him. On the merits, he was probably the best candidate to get the Senate seat. My reading of the complaint is that it is more likely to be Jones but Jackson is certainly in the frame.
3. The taint of Chicago. Obama largely escaped this during the campaign but the scale of the Blagojevich scheme was so huge and elaborate that there will be no dodging it now. Obama achieved statewide office in Illinois. After reading the Blagojevich complaint, it is difficult to understand how anyone could do this without getting their hands dirty.
4. Howard Baker's old Watergate question will be applied to Obama. What did he know and when did he know it? Obama's extremely careful statement this afternoon indicates that he realises he's tiptoeing across a minefield. It's hard to believe he was totally clueless about the whole thing.
5. Valerie Jarrett. Part of Obama's inner circle, she's Senate Candidate 1 - the person Blagojevich believed he could put into the Senate and get the post of Health Secretary in return. Blagojevich was delusional, of course. Jarrett withdrew herself from consideration for the seat. Was this because she found out what was going on?
6. A special election for the Senate seat seems a very likely possibility. This will keep Illinois corruption in the limelight and could very well deliver the seat to a Republican - and prevent an ally like Jesse Jackson Jr being elevated.
7. Tony Rezko. Remember him? He hasn't gone away, you know. He's right there in the complaint.
8. In the public mind, corruption moves from being the principal preserve of Republicans - Randy "Duke" Cunningham, Ted Stevens, Jack Abramoff, Bob Ney - to being a cross-party or even mainly democratic phenomenon.
9. Did Rahm Emanuel, Obama's chief of staff, tip off the feds about Blagojevich? If so, that is of course commendable. But, again, it brings the issue right to the president-elect's door.
10. Although Obama has distanced himself from Blagojevich as of late, as Jake Tapper points out, that wasn't always the case: "Mr. Obama has a relationship with Mr. Blagojevich, having not only endorsed Blagojevich in 2002 and 2006, but having served as a top adviser to the Illinois governor in his first 2002 run for the state house."
This one will run and run."
Posted by Bruno at 11:33 PM
dezembro 08, 2008
Estará o PS à procura de eleições antecipadas? (publicado no Insurgente)
Hoje em dia, a maioria das pessoas politicamente interessadas estão acima de tudo preocupadas, ou com a crise, ou em atacar Manuela Ferreira Leite. No entanto, uma pequena aldeia de irredutíveis jornalistas e comentadores está preocupada com a "cooperação estratégica" entre o Presidente da República Cavaco Silva e o Primeiro-Ministro José Sócrates: a insistência do PS num estatuto dos Açores que o Presidente vê como um ameaça aos seus poderes leva a que, de Constança Cunha e Sá ao Expresso, se tenham escrito os mais variados obituários da tal "cooperação estratégica".
A propósito dela, uma outra figura, igualmente já pertencente ao mundo dos que já nos deixaram, resolveu partilhar as suas impressões: Pedro Santana Lopes afirmou há dias que talvez fosse bom que o PSD se preparasse para eleições antecipadas, pois o PS está a procurar que estas se realizem os mais cedo possível, para que os eleitores só sintam os piores efeitos da recessão depois de depositarem a sua cruz no quadradinho do punho fechado. Por uma vez na vida, acho que Santana Lopes é capaz de ter razão.
Já há algum tempo o havia escrito aqui: das muitas vezes que o Presidente Cavaco Silva rejeitou o novo Estatuto dos Açores aprovada na Assembleia da República, escrevi que as explicações que deu visavam "não só avisar os portugueses daquilo que não estava disposto a aceitar, mas também criar as condições para que, caso o PS quisesse ignorar a opinião presidencial, Cavaco tivesse toda a margem de manobra para os impedir: dissolver a Assembleia sob o pretexto de que esta pretende introduzir medidas que afectarão o "regular funcionamento das instituições". Se depois de o Presidente deixar claro, como na altura deixou, que certos aspectos destas propostas são entendidos por ele como desestabilizadores do equilíbrio da relação das instituições políticas portuguesas (do "regular funcionamento das instituições"), o PS avançasse (como avançou) com esses mesmos aspectos, o Presidente estaria disposto a impedir o PS de o fazer. Se, depois de um eventual veto presidencial, o PS der sinais de que o pretende ultrapassar, usando a sua maioria parlamentar para aprovar o documento, Cavaco terá, com o dramatismo que há meses colocou na questão, legitimidade e margem de manobra para agir no sentido de salvaguardar o "regular funcionamento das instituições", e garantir que a maioria parlamentar não o ponha em causa. Agora que, aparentemente, o PS se prepara para ultrapassar o veto presidencial, começo a pensar que as eleições antecipadas são precisamente aquilo que o PS deseja neste momento.
Se, por o Estatuto dos Açores pôr em em perigo o "regular funcionamento das instituições", Cavaco acabar por dissolver a Assembleia e convocar eleições antecipadas, elas decorrerão num período que será muito mais favorável ao PS do que Novembro de 2009. Enquanto se, realizadas daqui a alguns meses, as eleições decorrerão em plena crise, numa conjuntura em que o governo pode mostrar "acção" e fingir "ter tudo sob controlo", usando o natural receio das pessoas para lhes servir a sua propaganda, em Novembro de 2009, as eleições realizar-se-ão numa conjuntura em que a crise já terá passado, mas as suas consequências estarão bem presentes. Aí, as pessoas não verão um Governo em acção, mas sentirão a falta de dinheiro e as dificuldades em chegar ao fim do mês. Em Novembro de 2009, as pessoas estarão bem mais dispostas a votar noutro partido que não o PS, do que estarão daqui a uns meses.
Para além do mais, uma eventual dissolução da Assembleia daria ao PS a possibilidade de culpar o Presidente pela instabilidade em que o país teria caído, numa altura em que mais precisava de "liderança": o PS certamente argumentaria que o Presidente dissolvera a Assembleia por "razões menores" que "nada dizem aos portugueses", e logo quando estes estavam preocupados com a "mais grave crise desde 1929", num "sinal" de uma "irresponsabilidade inqualificável".
O problema, para Cavaco, é que com todo o dramatismo que colocou nesta questão, não se pode dar ao luxo de deixar o PS aprovar o documento sem alterações. Se conseguir convencer o PS a alterá-lo nada de mais acontecerá. Mas se não o conseguir, terá de agir em conformidade com as palavras que disse no Verão passado. Caso contrário, perderá credibilidade, pois deixará que se crie o precedente que ainda há pouco tempo disse ser inaceitável que se criasse. O Presidente fez o seu "bluff" procurando dissuadir o PS ao ameaçar disfarçadamente a dissolução da Assembleia, mas se essa dissolução for precisamente o que Sócrates quer, o tiro sair-lhe-á pela culatra.
Posted by Bruno at 12:21 AM
dezembro 06, 2008
Getting Away With (Attempted) Murder
Leio no livro de Malcolm Gladwell, Outliers, que Oppenheimer, o director do projecto de desenvolvimento das primeiras bombas nucleares, enquanto estava a fazer o seu doutoramento em Cambridge, tentou envenenar o seu tutor. Após "negociações", Openheimer foiapenas posto "on probation" e obrigado a ter consultas com um psiquiatra. Nem sequer foi expulso da Universidade, e pôde prosseguir a sua investigação. Os povos de língua inglesa têm a expressão "getting away with murder" e Oppenheimer conseguiu, literalmente, fazê-lo, tudo porque, segundo Gladwell, tinha suficientes "falinhas mansas" (como diria um qualquer ouvinte do Fórum TSF) para convencer os outros de que aquele "castigo" era o suficiente para algo tão insignificante como o envenenamento de uma pessoa.
Posted by Bruno at 10:45 PM
dezembro 05, 2008
Descubra as Diferenças
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Pode ouvir aqui o Descubra as Diferenças (programa da Rádio Europa) de hoje, em que juntamente com o Adolfo Mesquita Nunes (e a moderação de Antonieta Lopes da Costa e do André Abrantes Amaral), estive a discutir o Congresso do PCP, a "guerra civil no PSD", a Cimeira UE-Rússia e a aprovação, por parte do parlamento iraquiano, da retirada das tropas americanas até 2011.
Posted by Bruno at 10:59 PM
Uma Excelente Iniciativa
O Instituto Sá Carneiro, no seu site, disponibiliza os sete volumes da colectânea de textos de Francisco Sá Carneiro. Assim, todos aqueles que queiram passar para além do mito e queiram compreender como era realmente o antigo líder do PSD, terá aqui uma boa forma de começar.
Posted by Bruno at 12:17 AM